Dia Nacional da Ciência: Educação Socioemocional não é opinião, é conhecimento científico

Por Ludmilla Santos – Coordenadora Pedagógica

Ao longo da história, a busca pelo conhecimento e, muitas vezes, pelo poder associado à sua produção e circulação, ocupou lugar central no desenvolvimento das sociedades. As diferentes culturas construíram distintas formas de compreender e explicar o mundo, produzindo saberes que respondem às necessidades de seus contextos históricos e sociais.  

Mas você já se perguntou como surgiram as primeiras explicações sobre os fenômenos que nos cercam? Como um conceito passa a ser reconhecido e validado cientificamente? Por exemplo, como se desenvolve um novo medicamento? Ou, ainda, como compreendemos as reações biológicas ou os impactos sociais desencadeados pelas emoções? 

A produção científica não existe para invalidar outras formas de produzir conhecimento, mas para investigá-las, dialogar com elas e submetê-las a processos sistemáticos de análise, verificação e aprimoramento. O saber popular, os conhecimentos tradicionais e as experiências construídas no cotidiano frequentemente inspiram perguntas científicas e contribuem para a formulação de hipóteses que orientam novas pesquisas. Assim, a ciência amplia a compreensão sobre a realidade por meio de métodos rigorosos, buscando produzir conhecimentos confiáveis, capazes de explicar fenômenos, orientar práticas e contribuir para o desenvolvimento humano. 

Educação Socioemocional também é conhecimento científico.

Embora frequentemente associada às universidades, aos laboratórios e aos grandes centros de pesquisa, a ciência não se restringe a esses espaços. Ela também pode ser produzida no “chão da escola”, em projetos de investigação desenvolvidos por professores e estudantes, ou na observação sistemática dos acontecimentos da vida cotidiana, como as manifestações das emoções e das relações humanas. 

O conhecimento é “vivo” e, a cada nova pesquisa, surgem concepções diferentes que reformulam, alinham ou mesmo refutam aquilo que, ao longo do tempo, perdeu sentido de aplicabilidade. A facilidade de traduzir a ciência em recursos audiovisuais, imagéticos, publicações ou mesmo nos famosos stories e reels do Instagram representa um ganho gigantesco para a democratização do conhecimento científico. Contudo, refletir sobre os elementos e processos que constituem esse mesmo conhecimento científico na contemporaneidade é uma tarefa delicada, que exige atenção, principalmente em razão da facilidade com que essas informações se disseminam. 

A internet, como uma conexão global de dados, e, dentro dela, as redes sociais, como espaços de diferentes interações, têm facilitado o acesso a conteúdos que, de forma volátil e pouco aprofundada, tendem, em vez de produzir conhecimento, a gerar desinformação, capaz de causar danos imensuráveis e, inclusive, invalidar ou comprometer produções científicas comprometidas com o rigor metodológico. 

Educação Socioemocional também é ciência

A Educação Socioemocional é conhecimento científico e tem sido estudada e validada nas universidades, em produções teóricas de autores que dedicaram suas trajetórias à formulação de conceitos e à aplicação prática de técnicas, culminando na materialização desses estudos por meio de publicações reconhecidas e amplamente discutidas em diferentes partes do mundo. 

Da mesma forma, sua validade também se fortalece em sua aplicabilidade prática. A Educação Socioemocional tem se constituído como um mecanismo para a compreensão de problemas sociais e como estratégia de intervenção para sua resolução, sempre fundamentada em estudos sólidos que antecedem qualquer formulação. 

Longe de constituir um conjunto de práticas baseadas apenas na intuição ou no senso comum, a Educação Socioemocional apoia-se em décadas de pesquisas desenvolvidas por diferentes áreas do conhecimento, como a Psicologia, a Educação, as Neurociências e as Ciências Sociais. Autores como Rafael Bisquera, Edgar Morin, Juan Casassus, Marshall Rosenberg, David Bohm, entre tantos outros, têm seus conceitos, metodologias e estratégias de intervenção como resultado de investigações sistemáticas, publicações acadêmicas, validações empíricas e constante diálogo entre suas pesquisas.  Aprender envolve mais do que se imagina: é preciso que a prática e o conhecimento científico estejam continuamente alinhados. 

Formar uma geração capaz de compreender, produzir e valorizar a ciência também constitui um dos desafios da Educação Socioemocional. Isso implica superar a falsa ideia de que ciência e afeto pertencem a campos opostos. Uma educação que promove o desenvolvimento humano integral, que pensa práticas de pertencimento e valoriza os afetos é, sem dúvida, uma educação que aproxima professores e estudantes, gera conexões acolhedoras e proporciona condições saudáveis e adequadas para a produção, a aplicação e a democratização assertiva do conhecimento científico. 

 Destarte, a Educação Socioemocional reafirma que o rigor científico e a valorização das relações humanas não se excluem; ao contrário, complementam-se na construção de uma educação verdadeiramente transformadora. 


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