Acolher para ensinar: o papel das primeiras semanas de aula 

Por Juliana Campos – Consultora Pedagógica

Início do ano letivo. Sala cheia, alunos novos, muitas emoções afloradas. Entre saudades, reencontros, novas amizades e expectativas de todas as partes, o clima é intenso, e isso é natural. Nesse período, o educador se vê diante do desafio de colocar em prática aquele planejamento feito com tanto empenho, dedicação e, sobretudo, carinho. 

Ao sentar-se para planejar as primeiras semanas de aula, geralmente o professor ainda não conhece seus alunos. Não sabe quais personalidades encontrará, quais histórias cada um carrega, nem quais comportamentos irão emergir. Eu sei, professor… algum colega seu já deve ter lhe “preparado” para aquele aluno com comportamento mais desafiador, que acaba se destacando ao longo do ano, não é mesmo? Brincadeiras à parte, sabemos que o planejamento de aula é vivo, flexível e se constrói no encontro com os alunos, ao longo do ano. 

Ainda assim, é muito comum que, nesse comecinho de ano letivo, a ansiedade tome conta. Queremos que tudo esteja bem alinhado, que os alunos obedeçam às regras, que se comportem “adequadamente”, acreditando que, assim, conseguirão assimilar todo o conteúdo preparado com tanto cuidado. 

No entanto, é importante considerar que, após um longo período de férias, marcado por rotinas mais livres, o retorno à rotina escolar, carregado de cobranças e expectativas, pode gerar insegurança, medo de não conseguir corresponder e até a sensação de fracasso. Diante disso, vale uma pausa para reflexão: o que você, enquanto educador, realmente deseja para seus alunos? 

Provavelmente você quer que eles construam conhecimentos sólidos, que aprendam de forma significativa, que saibam se relacionar bem. Deseja que atravessem desafios com coragem, que realizem suas atividades com capricho e entusiasmo. Agora, com carinho e honestidade, pense: quanto do tempo em sala de aula é dedicado, de fato, ao desenvolvimento dessas habilidades? 

Pensar o início do ano letivo como um momento de acolhimento é garantir um terreno emocionalmente seguro para todo o ano. Na prática, sabemos que crianças que se sentem acolhidas, compreendidas e pertencentes conseguem se organizar melhor emocionalmente e, consequentemente, se engajar com mais disponibilidade nas propostas pedagógicas.  

No início do ano, quando as crianças chegam ansiosas, inseguras e sem saber exatamente o que as espera, o acolhimento do educador torna-se essencial. Antes de organizar o conteúdo, é preciso ajudar a organizar as emoções. Primeiro, conecta-se com o que a criança sente, depois, orienta-se o comportamento. Isso não significa ausência de limites, muito pelo contrário. Significa validar sentimentos sem isentar    responsabilidades, oferecer segurança sem abrir mão dos combinados. 

Quando emoções como medo, ansiedade e insegurança estão muito presentes, elas competem diretamente com a atenção e a memória. Já a segurança emocional favorece a aprendizagem significativa, a curiosidade e o engajamento. 

Pensando nisso, fica a pergunta: que caminho você deseja construir com seus alunos desde as primeiras semanas de aula? 


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