Artigo: O papel dos Professores na Educação Socioemocional

Como os educadores podem integrar a educação socioemocional ao currículo e promover um ambiente de aprendizado emocionalmente saudável(?)

Por Laura Paiva – Consultora Pedagógica e Psicóloga

Mudança e cobrança, essas duas palavras permeiam o ambiente educacional.

No dia a dia, parece muito mais fácil cobrar dos outros aquilo que não proporcionamos a eles. Ou seja, percebemos que é necessária uma mudança do outro, sendo que não pensamos nas nossas próprias mudanças e isso tudo gera cobrança (tanto para si quanto para os outros).

Professores da rede municipal de ensino da cidade de Nossa Senhora das Dores/SE recebem formação inicial sobre a aplicação da educação socioemocional. Foto: Wanessa França

Quando falamos em sala de aula, por exemplo, “preste atenção na aula!” pode ser interpretado de diversas formas, em diversas entonações, com diferentes expressões faciais, com diferentes sentimentos e emoções envolvidas.

Com isso, fica o questionamento: como estamos expressando as nossas necessidades dentro da sala de aula? Essa pergunta gira em torno da forma que nos comunicamos.

Não somos verdadeiramente ensinados a nos comunicar, evitamos falar sobre o que queremos quando a emoção que nos permeia é desconfortável. Sendo assim, queremos algo e não sabemos como comunicar essa necessidade e com isso o “preste atenção na aula!” dá lugar ao pensamento automático de “vou ignorar essa falta de atenção, até porque esse aluno sabe que tem que prestar atenção na aula, continuarei aplicando meu conteúdo até que o aluno perceba”.

Porém, chega um momento que a emoção deixa de ser confortável e passa a ser desconfortável, e independente do nível de conforto da emoção, nós precisamos comunicar a necessidade de que os alunos precisam prestar atenção.

Professores da rede municipal de ensino da cidade de Nossa Senhora das Dores/SE recebem formação inicial sobre a aplicação da educação socioemocional. Foto: Wanessa França

Pensando no exemplo dado anteriormente, se a emoção que está predominando é a desconfortável, então, iremos comunicar de uma forma assertiva as nossas necessidades?

Logo, ressaltamos a importância da Comunicação Não Violenta (CNV) não apenas para melhorar o clima emocional da sala de aula entre os alunos, mas também como parte do papel do professor. Ou seja, a CNV contribui para repensar a maneira que nos expressamos e ouvimos os outros, o trabalho da CNV é uma via de mão dupla, precisamos estar atentos as nossas emoções e as dos outros e falar sobre suas necessidades e desejos de uma forma empática, assertiva e não violenta.

Estamos acostumados a devolver falta de atenção com falta de atenção, desprezo com desprezo, numa competição contínua de reprodução de violências “devolvendo tudo na mesma moeda” de forma consciente ou inconsciente. Quando voltamos a expressão “preste atenção na aula!” observamos que ela não comunica as necessidades do professor. Por que esse aluno precisa prestar mais atenção? Por que é importante para você, professor, que ele preste atenção na aula? Qual a importância dessa aula no processo educativo do aluno? Por que esse assunto é importante para além da prova?

Professores da rede municipal de ensino da cidade de Nossa Senhora das Dores/SE recebem formação inicial sobre a aplicação da educação socioemocional. Foto: Wanessa França

Essas perguntas se tornam exercícios para conseguir expressar as emoções do professor para os seus respectivos alunos de forma assertiva e mais atenta. Diante de tudo isso, deixamos o convite aos professores a praticarem o exercício de expressar suas emoções com mais sinceridade e objetividade. A consequência de uma expressão emocional mais sensível é permitir com que o outro também seja mais respeitoso e empático.

Bibliografia: ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2006.


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